Estórias Do Mondego

Sinopse

Esta é a estória de um rio e de algumas vidas que ele moldou. Um rio com sabor a montanha e a sal, que tanto lava as barreias de roupa batida contra as pedras, como é escola a céu aberto de uma juventude irrequieta e pobre, de futuro incerto, errante e sem favorecimentos, entre a serra e a foz. É também caminho, estrada, rota de barqueiros e reserva natural de pescadores. Ali, na Ereira, antes de o rio se fazer mar e onde o poeta local, Afonso Duarte, dizia que "os homens da minha terra passam meio ano a lavourar e outro meio ano ao anzol", ali, terra de arrozais e de lampreia, o Mondego foi sempre uma promessa de vida melhor. Ali e por onde passasse, porque ele era ao mesmo tempo campo, estrada, regadio e pesca — a subsistência de populações inteiras. Que o digam a Aida Rosa, a moça dos bois, e seu marido, Joaquim Nunes, que apenas pôs pé na escola pela primeira vez aos 35 anos. Ou o António Pardal, nascido e criado na Carapinheira, nos anos 30 do século passado, e que, ainda menino, vai ganhar sete escudos ao dia nos campos do Mondego... (...) João Figueira